Como pais, é natural desenvolvermos expetativas em relação aos nossos filhos! O desempenho escolar está no topo da lista de expetativas que mais “habita” nos pais! Desejar o seu sucesso escolar é saudável e os pais podem contribuir para isso. Contudo, é preciso que essa expetativa se não exteriorize em pressão excessiva, capaz de transportar para cima dos ombros dos nossos jovens, uma responsabilidade já adulta, daquelas que até parece que advém de metas que os próprios pais não conseguiram atingir!
Numa conversa com jovens, dei por mim a escutar a pressão que eles sentem na época dos exames. E dei por mim a ver, como o entusiasmo com que partilhavam as vivências do seu dia-a-dia desaparecia, ao se abordar o tema da escola e dos exames.
Querer ser um bom aluno, melhorar uma nota menos boa, são objetivos saudáveis. Mas… ser o melhor, será um objetivo saudável????? A meu ver, não. Porque no primeiro caso, o jovem utiliza e potencia as suas capacidades individuais, está focado em si e naquilo que acredita que é capaz, sente-se livre de explorar aptidões e recursos seus. No segundo caso, o jovem está refém do comportamento dos outros colegas, dos pais e dos professores, a sua noção de si, depende da noção que os outros têm de si; neste cenário ocorrerão duas hipóteses a curto, médio ou longo prazo: ou corre tudo sempre “às mil maravilhas”ou, quando não correr, virá muita frustração e, pior, o sentimento de que não se é amado, de que não se é reconhecido.
Não podemos garantir aos nossos filhos que serão sempre bem sucedidos!!! E por isso, não podermos esperar deles ou sequer pedir-lhes que sejam “os melhores”!!! Podemos sim, “equipa-los” para todos os cenários possíveis. E há um cenário que os pais não gostam de admitir e por isso evitam falar dele: o cenário da derrota, da queda, do sofrimento, da desilusão.
No meio de tanta pressão pelo sucesso escolar, os jovens desmotivam, adoecem com ansiedade, depressão, esgotamento físico e psicológico, comprometem o seu futuro e muitas vezes as escolhas conscientes que deviam estar a fazer, nos momentos em que têm de o fazer. Vamos lá controlar essas expetativas! Vamos lá ensiná-los a usarem as suas capacidades individuais, sem por em causa a sua sanidade física e mental e sobretudo, sem deixarem de se questionar acerca do caminho que querem seguir.
E
depois andamos aí a propagar que “isto de ser o melhor aluno, não significa que
será o melhor profissional…”… Haja bom senso!!!
E nós? Somos sempre os melhores??