No nosso quotidiano vivenciamos o conflito e isso é normal. Connosco, em silêncio, quando dizemos ou fazemos algo com aquele sentimento “de coração apertado ou aos pulos” ou “nó na garganta”, atitudes não refletidas que deveríamos, se a emoção não prevalecesse à razão, conter e deixar ir embora, sem abrir a boca, mas limpando o pensamento. Não é fácil, eu sei! Mas é uma atitude que podemos aprender a desenvolver e praticar.
Não há dúvida que primeiro estamos em conflito (connosco) e só depois entramos em conflito (com os outros). Sente que um acontecimento ou uma pessoa ameaça a sua identidade? -quem é, como se vê e como é visto e aceite, a função que tem e quer manter- ou ameaça um seu interesse ou necessidade?- o que quer, precisa, deseja, ambiciona–. Esse acontecimento ou essa pessoa desperta o seu lado emocional e as emoções surgem-lhe em catadupa: pode ser medo, raiva, vergonha, agitação, agressividade, antipatia, rejeição, ansiedade, arrogância, inveja, orgulho, ciúme, pânico, etc. Então, deve parar, fechar a boca, e ganhar consciência do que está a sentir e de que forma o seu corpo está fisicamente dominado por isso. Este breve pensar desfoca-o da situação concreta, permanecendo uns segundos a olhar para si. A seguir pense naquilo que realmente importa, na pessoa que é, no que lhe interessa verdadeiramente e, se necessário diga-o de forma respeitosa. Não lhe parece fácil, pois não? É que estamos muito pouco habituados a falar de nós, já que quase nunca olhamos para nós.
E por este caminho vai descobrir que essa pessoa ou acontecimento não geraram o conflito, pois ele começou … em si! Por isso não esqueça: antes de entrar em conflito, trate do seu conflito!